Publicado em 28 de junho de 2010 às 08:13

Crônica da Semana: Qué comprá pamonha, vô?



A campainha tocou e eu abri o vitrô para ver quem era. Uma menina com um aventalzinho quase branco, bonezinho virado para trás, foi logo abrindo um isopor e, sorrindo, dando um recado:

 

- Qué comprá pamonha, vô?

 

E antes que eu respondesse, completou:

 

- Tá quentinha e tem doce e salgada!

 

Fui até o portão e ela continuava vendendo seu peixe:

 

- è só um real cada.

 

Comprei duas doces e duas salgadas.

 

Eu não gosto de pamonha, mas, minha mulher, adora.

 

Não tendo certeza de qual iria agradá-la, fiquei com duas de cada.

 

Às vezes, a gente tem um rasgo de solidariedade e de gentileza.

 

Senti-me bem, dando uma mãozinha à pequena vendedora, certamente para se virar, na vida dura que parecia ter e, por que não, pelo agrado que levaria à minha mulher!

 

E esse momento me levou a uma profunda reflexão sobre minha vida - " Uma ajuda de quatro reais e um presente de quatro pamonhas!"

 

Nesta altura do campeonato, eu preciso e posso ir mais longe, mais fundo em ajudar e presentear!

 

Quantas crianças trabalhando, algumas sem pai e sem mãe, ou nas mãos carinhosas de anjos bons como Frei Chico. Quantas precisando da gente, mais do que nunca?...

 

E a quantas pessoas devemos um agrado, um presente, um obrigado?...

 

A menina da pamonha me vez ver outra coisa importante também...

 

Que já é hora de dar o que ainda não dei; de fazer a gentileza que ainda não fiz!

 

Sempre é tempo de se fazer algo de bom, pensei!

 

E eu talvez não consiga realizar tanto.

 

Afinal, a menina alertou:

 

- Qué comprá pamonha, Vô?

 

 

 

Esta crônica é herança de João José Corrêa (Dedé Corrêa), a toda população santa-cruzense.







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