Crônica da Semana: Qué comprá pamonha, vô?
A campainha tocou e eu abri o vitrô para ver quem era. Uma menina com um aventalzinho quase branco, bonezinho virado para trás, foi logo abrindo um isopor e, sorrindo, dando um recado:
- Qué comprá pamonha, vô?
E antes que eu respondesse, completou:
- Tá quentinha e tem doce e salgada!
Fui até o portão e ela continuava vendendo seu peixe:
- è só um real cada.
Comprei duas doces e duas salgadas.
Eu não gosto de pamonha, mas, minha mulher, adora.
Não tendo certeza de qual iria agradá-la, fiquei com duas de cada.
Às vezes, a gente tem um rasgo de solidariedade e de gentileza.
Senti-me bem, dando uma mãozinha à pequena vendedora, certamente para se virar, na vida dura que parecia ter e, por que não, pelo agrado que levaria à minha mulher!
E esse momento me levou a uma profunda reflexão sobre minha vida - " Uma ajuda de quatro reais e um presente de quatro pamonhas!"
Nesta altura do campeonato, eu preciso e posso ir mais longe, mais fundo em ajudar e presentear!
Quantas crianças trabalhando, algumas sem pai e sem mãe, ou nas mãos carinhosas de anjos bons como Frei Chico. Quantas precisando da gente, mais do que nunca?...
E a quantas pessoas devemos um agrado, um presente, um obrigado?...
A menina da pamonha me vez ver outra coisa importante também...
Que já é hora de dar o que ainda não dei; de fazer a gentileza que ainda não fiz!
Sempre é tempo de se fazer algo de bom, pensei!
E eu talvez não consiga realizar tanto.
Afinal, a menina alertou:
- Qué comprá pamonha, Vô?
Esta crônica é herança de João José Corrêa (Dedé Corrêa), a toda população santa-cruzense.
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